Edição 2.765 - Ano XVIII - Fundadores: Otaciano Pereira e Irene Pereira -

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CATÓLICA
Pe. José Busato

SÃO TEÓFANO VENARD

O santo de hoje agradava Santa Terezinha do Menino Jesus: padre Teófano Venard. É comemorado por ter sido martirizado na China em 1852. O seu martírio, suportado junto com 25 companheiros, é um dos piores da história dos missionários católicos. Os chineses usaram o método chamado lang-tri, que consistia numa tortura lenta, mas tremendamente dolorosa. Preso e fechado numa gaiola, Teófano foi levado até Hanói, de onde escreveu a sua última carta aos parentes. Nessa lemos: “Com o bispo e outros padres fomos colocados numa cela tão estreita que só dava para ficar de pé e mal conseguíamos respirar. Não havia luz, nem ar e, isso, por dias seguidos”.
A Indochina de dois séculos atrás era terra de missão, onde missionários espanhóis e franceses se esforçavam para evangelizar. Assim, Vietnã e China iniciavam seu processo de conversão. Mas houve um levante de paganismo feroz que aterrorizou todos os fiéis e abriu a era dos mártires. Tudo aconteceu como nos primeiros séculos do cristianismo, pois os perseguidores começavam atacando os bispos e os padres; em seguida matavam os líderes religiosos e finalmente os fiéis. Por volta do ano de 1850 o demônio se soltou e fez morrer com os tormentos mais atrozes as vítimas inocentes. A liberdade religiosa é uma conquista muito lenta, e precisávamos do Papa João Paulo II para fazer ressoar no mundo inteiro os ideais que os regimes totalitários sempre desprezaram, para sua própria vergonha e condenação.
Teófano Venard era um jovem francês muito inteligente, querido pelos seus familiares que o tinham criado com sentimentos fortíssimos. A separação dos seus, em particular da sua irmã Melânia, custou lágrimas de sangue. Mas saiu de casa e se tornou missionário das Missões Estrangeiras de Paris porque o amor de Cristo era superior. Suas cartas eram conhecidas até nos conventos de clausura, e uma das suas simpatizantes mais nobres foi justamente Santa Terezinha do Menino Jesus.
Chegado Hong-Kong, porta da China, Teófano se dedicou ao estudo da língua durante um ano e meio e depois se meteu na pastoral como zelo sem limites. Para atingir a classe alta, traduziu os Atos dos Apóstolos e as Epístolas em língua chinesa, apesar da hostilidade que encontrava e da saúde sempre precária, nessa parte da China chamada Tonkin.
Lendo as Atas dos martírios desses santos missionários, muitos dos quais já foram canonizados, como os espanhóis Jerônimo, Valentim e Pedro, se não existisse o demônio, deveríamos imaginá-lo como uma fera vestida de homem. O bispo José Ganjúrio, que foi decapitado junto com Teófano Venard, pouco antes do martírio escreveu: “Entrei na cadeia, sem livros, sem roupa, sem nada e continuamente torturado, mas estou tranqüilo e feliz por ver-me considerado digno de sofrer por causa de Cristo”. Tomara que os católicos brasileiros tenham um pouco mais de consideração pela sua fé, pregada com tantos sacrifícios e testemunhada com tão horrorosos martírios também no resto do mundo!

catecismo da igreja
Pe. José Busato

A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

Desenvolvida no século XIX, a doutrina social da Igreja foi ao encontro da sociedade industrial moderna, para dar sentido cristão às novas estruturas criadas para a produção dos bens de consumo. Era necessário que a Igreja se pronunciasse diante das novas formas de trabalho e de propriedade, em matéria econômica e social, para não trair o sentido da Tradição viva e ativa. Nada de novo debaixo do sol, diz a Bíblia, e a Igreja sempre interpretou os acontecimentos da história à luz da palavra de Deus e da assistência do Espírito Santo. Os homens de boa vontade puderam se inspirar nos princípios de reflexão da Igreja que orientou a ação apresentando critérios de juízo.
Em primeiro lugar a Igreja impediu a idéia de libertinagem determinada pelos fatores econômicos, declarando-a contrária à natureza da pessoa humana e dos seus atos. Se uma teoria faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica, não só é humanamente errada, mas é também moralmente inaceitável. Um sistema que sacrifica os direitos fundamentais da família, dos grupos e das pessoas, massacrando com a desconfiança e perseguindo com controles estatais ditatoriais e insuportáveis, é contrário aos direitos do homem. É uma prática que faz voltar as pessoas à escravatura, mesmo que os regimes políticos se amparem debaixo da palavra bonita de democracia.
Por baixo de tal sistema está a idolatria do dinheiro, procurado com todos os meios, a base de sacrifícios próprios dos escravos. Hoje, os novos escravos seriam os empresários se fosse o Estado a persegui-los atuando deste jeito, mas poderiam ser os próprios operários quando fossem sacrificados por empresários. A Igreja sempre rejeitou as ideologias totalitárias e atéias, associadas aos sistemas conhecidos como comunismo, socialismo e capitalismo. O planejamento centralizado da economia perverte na base os vínculos sociais, pois se regula unicamente pela lei do mercado. Mas, quem não sabe quantas são as necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado! Precisa, portanto, regulamentar as iniciativas econômicas de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum. Toda atividade econômica tem um encargo social, pois está a serviço da pessoa, do homem em sua totalidade e de toda a comunidade humana. Que adiantaria cuidar bem do gado, quando se deixasse morrer às minguas os vaqueiros? Deus não criou o homem para que morresse trabalhando, mas para que trabalhasse vivendo. O trabalho humano é um dever, é uma cruz, é um meio de santificação; mas é para satisfação do próprio homem, autor e destinatário do seu trabalho. Cada um deve tirar do trabalho os meios para sustentar-se, a si e aos seus, bem como para prestar serviços á comunidade humana.

josebusato@jdia.com.br

Fundação Padre Pio: Missa diária de segunda a segunda, às 18 horas. De domingo, também às 09 da manhã.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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