Edição 2.765 - Ano XVIII - Fundadores: Otaciano Pereira e Irene Pereira -

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MODA

INTIMIDADE
Lavínia é glamourosa, alta, magra, rosto de Audrey Hepburn emoldurado por cabelos cacheados e louros

Entrando no armário

Fotos de Fábio Seixo


Vestido | Cristiane Zveiter, brinco Sandra Pinheiro

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Carolina isabel Novaes
Agência O Globo

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Lavínia Vlasak fez questão de vestir todas as suas roupinhas da marca Cristiane Zveiter; não, ela não se importa se está repetido ou não, gosta de sair assim mesmo e pronto.
— Adoro as roupas dela, adoro ela. A Cris tem um estilo que é igual ao meu, ou seja, todos — explica a atriz. — Sou uma boa geminiana, cada dia acordo de um jeito. Às vezes, me sinto superbásica, outras, esportiva. Aí visto um casaquinho Adidas. Quando me sinto sexy ponho uma minissaia. E tem dias que estou séria, aí invisto no terninho. Lavínia é glamourosa, alta, magra, rosto de Audrey Hepburn emoldurado por cabelos cacheados e louros. Pede ao maquiador um difusor para lhes dar mais volume:
— Todo mundo quer cabelo liso, mas eu não.
Conta que seu cabelo era liso até que, aos 19 anos, ele começou a ficar estranho. Ela penteava e ele ficava armado, todo frisado:
— Aí uma amiga me deu o toque, falou para eu parar de pentear. Pronto, foi o que fiz.
LAVÍNIA BRINCA:— Economiza os fios não penteá-los — brinca. — Agora, os cachos estão voltando a ficar lisos; é hormonal — pondera. E segue contando que gosta muito de verde, “aquele verde-claro, cor de peridoto”. É seu tom preferido:
— Meu quarto, quando era pequena, era dessa cor, acho que ficou no meu subconsciente.
A atriz está na entressafra. Fez a novela “Celebridade” e agora não revela nem sob tortura seu próximo projeto, só fala que é para breve. Enquanto não aparece na telinha, vai se exercitando, faz aulas de dança, interpretação e canto.
— Sempre nos intervalos entre um trabalho e outro faço aulas de canto. Há anos. Mas cantar eu não canto, sou péssima — admite. — Eu insisto, quem sabe um dia eu faço bem?
Coordenação: Patricia Veiga. Produção: Zizi Ribeiro. Beleza: Ronald Pimentel. Agradecimentos ao Hotel Marina All Suites

A SEUS PÉS
Apostando na sensualidade, os sapatos inspirados em obras de arte estão trazendo fantasia para os pés brasileiros. Na esteira da melhor tradição iniciada por André Perugia e seu escarpim com escamas e olhos de peixe (homenagem ao pintor cubista Georges Braque), a Swains lança a coleção Miró, que brinca com a paleta de cores do artista catalão, enquanto a Antonella aposta nas formas geométricas de Mondrian e a Via Milano homenageia a irreverência do grafiteiro Keith Haring.
Margareth Mee em bordados de canutilho
O que move os criadores a se inspirar nos artistas é a identificação que se transforma em paixão. A especialista italiana Paola Jacobbi — cujo livro “Eu quero aquele sapato!” está sendo lançado no Brasil pela Objetiva — afirma que a mulher atual não quer só qualidade, deseja também “viajar” nas solas da fantasia. É este desejo que faz o sucesso de estilistas como Luli Bevilaqua, que se inspirou nos desenhos da nossa flora feitos pela artista inglesa Margareth Mee para criar sua coleção de sandálias em forma de bromélias, orquídeas e folhas, com bordados em canutilhos. “Margareth Mee é minha paixão” - diz Luli.
Tudo é permitido quando se trata de imaginação. Paola Jacobbi conta que Perugia, francês conquistador que homenageou Picasso ao criar para uma estrela do Folies Bergére um famoso e sexy par de sandálias, dizia conversar com seus sapatos. Rogério Sabbag, da Via Milano, não chega a tanto, mas afirma que Keith Haring não é uma simples fonte de inspiração para ele e sim a verdadeira “alma” de sua grife. Pouco antes de criar a Via Milano, ele estava em Nova York e ficou fascinado ao entrar numa exposição de Haring, morto em 1990: “O grafismo e as cores vibrantes dele nunca mais saíram do meu inconsciente”. Para o designer César Coelho Gomes, da Swains, a certeza de que criaria uma coleção Miró surgiu há dois anos, no Beaubourg de Paris. Ele conta que ficou parado uma hora, extasiado, diante de um tríptico do pintor.
- Depois vi outras mostras até criar a coleção Miró atual, baseada na serigrafia “L’echelle de l’evasion”, de 1959, cheia de detalhes sinuosos, símbolos estilizados, marrons, roxos, azuis e vermelhos.
Para Linda O’Keeffe, autora do livro americano “Shoes”, o que a mulher calça define quem ela é. Por isso, Marlene Dietrich, apaixonada por sapatos, aconselhava a mulher a comprar um único par poderoso em vez de três pares medíocres. Sapatos podem ser mais importantes que a roupa por uma razão: pés não costumam aparentar calorias a mais e continuam a esbanjar sensualidade mesmo quando a dona deles está acima do peso.
Um par de sapatos deve ser perfeito como uma equação e ajustado como uma peça de motor, segundo Perugia. Essa mistura de conforto e estética transformou nomes como Hermès, Gucci, Ferragamo e Blahnik em ícones contemporâneos. Tornou-se um must dos apaixonados por sapatos o episódio do seriado “Sex & The City”, em que Carrie implora ao ladrão durante um assalto: “Pode levar a bolsa, o anel, o relógio, mas deixa meu Manolo Blahnik”! Aliás, o designer Blahnik frisa que as mulheres adoram se transformar e os sapatos são a metamorfose mais fácil, com a vantagem de custar menos que jóias e vestidos. Ou seja, não basta pesquisar cores e texturas para criar sapatos artísticos. Na moda, como na arte, tudo é interpretação, emoção e releituras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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