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OPINIÃO
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Aroma
de pizza no ar

Preocupante o clima de conchavo
explícito no Congresso Nacional. Depois da cassação
de Roberto Jefferson e da desintegração
de Severino Cavalcanti, as marolas parecem indicar que
as grandes ondas teriam passado.
Reforça a tese de pizza a caminho a
tentativa de retirada, por parte do PTB, das denúncias
contra os deputados José Dirceu (PT-SP) e Sandro
Mabel (PL-GO). Num sinal positivo de que as coisas poderão
seguir outro rumo, o presidente do Conselho de Ética,
deputado Ricardo Izar (PTB-SP), repeliu a tentativa e
os processos seguirão seu destino.
A batalha não está resolvida, é evidente.
Também é evidente o crescimento das pressões
para que fique o dito pelo não dito e que tudo
fique como dantes, no quartel de Abrantes como a filosofia
popular classifica os acordos para nada resolver. Mas
também crescem as pressões da cidadania
para que a sujeira não seja varrida para baixo
do tapete.
Bastidores escabrosos da política brasileira vieram
à tona neste processo iniciado com a denúncia
do mensalão. Milhões de reais
envolveram instituições financeiras, agências
de publicidade e figurões da situação
e oposição. Não se deve esquecer
que o cidadão conhecido como Marcos Valério
aflorou como o elo perdido da cadeia de involução
ética, unindo PT e PSDB e isso é uma das
evidências de que se está descobrindo um
esquema de corrupção e tráfico de
influência bem maior que as circunstanciais pendengas
entre oposição versus situação.
E quais as conclusões de tudo isso? Basta a cassação
de um deputado e as renúncias de uns outros tantos
(mesmo que dentre esses esteja o presidente da Câmara
Federal)? Lógico que não basta! O necessário
é o esclarecimento das denúncias, são
as conclusões sobre as graves denúncias
do tráfico de dinheiro e influências. Isso
é o que espera a Nação, é
o que cobra a cidadania brasileira.
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ARTIGOS
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MAIOR
DÁDIVA DA EXISTÊNCIA
A
luta pela felicidade
*GILBERTO
DE MACEDO
MÉDICO
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Lutar pela felicidade. Estabelecer
essa como a meta da vida. Ou jamais se chegará
a usufruí-la. Esteja onde estiver, seja qual for
a situação na sociedade, havemos de procurar
essa maior dádiva da existência. E para isso,
há de se apoiar na esperança, essa bela
força interna que nos mantém e leva para
a frente. É o que nos dá a energia do entusiasmo
e da confiança para a realização
do ideal, na concretização dos sonhos.
Assim, há de se cogitar da luta do dia-a-dia, voltada
para uma feliz realização no futuro.
É que, como se sabe, a sociedade, mal-organizada
e mal governada, só cria dificuldades para a vida
das pessoas: obstáculos de toda ordem interpõem-se
no curso da existência. A cada transposição
sucede uma nova barreira. E aos tropeços, vai andando.
Se não houver apoio da esperança, então,
não se há como prosseguir. Passa-se a olhar
para trás, situando-se no passado. Deixa-se de
lutar. Sobretudo, porque nessa luta não há
de se deixar que, pela revolta, pereçam os bons
sentimentos e aqui, sobretudo, a capacidade de amar, pois
sem esta perde-se a aptidão para ser feliz. E sem
isso a luta perde o sentido, reduzida a um embate físico
na corrida pela competição materialista.
A luta em vão é se deixar o ideal, viver
por viver, à mercê das circunstâncias
materiais. É não ser digno da condição
humana, que tem nos valores espirituais a sua maior e
melhor característica. Por isso o poeta Browning
sabia comover, dizendo: Quando a sua luta começa
dentro dele, é que um homem vale alguma coisa.
Diz da valia humana, da coragem pessoal, em lutar por
seu ideal, na realização dos sonhos, símbolos
dos desejos. Assim, há de procurarmos atender a
essa posição singular e exponencial da natureza
humana no universo, e da condição mais elevada
na sociedade. A luta, sendo humana, exige essa esperançosa
disposição para se fazer, permanente e insaciável.
Para isso é acompanhada de valores, que a enobrecem.
Dignifica. Por isso, vale lutar. Luta pelo bem e pela
felicidade! Luta meritória, que diz da grandeza
humana. E que simboliza os ideais do homem, e os valores
da sociedade. Lutar, pois, como imperativo de vida, da
posição elevada do homem na escala das espécies,
e situação autêntica na sociedade.
É que não há vida normal sem lutar.
É próprio da natureza humana desde a fase
embrionária quando o ser em formação
luta para se constituir no útero materno com esforços
biofisiológicos; e sobretudo, após o nascimento
quando se impõe a adaptação ás
novas circunstancias do mundo externo.
REACIONARISMO
Acerca
do equívoco
*
KLEBER LIMA
JORNALISTA
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Novamente a revista Veja
(edição do último domingo, 18) destila
todo o seu reacionarismo para tentar aproveitar a crise
política provocada pelos medíocres do PT
para atacar a esquerda, em particular, e o socialismo,
em geral.
São dois os pressupostos da revista:
1) o equívoco primordial do PT foi ter nascido
empunhando a bandeira socialista, em 1980, quando esse
sistema já estaria carcomido pelo tempo e a história;
e
2) o equívoco secundário, resultante do
primeiro, foi transformar Lula no operário-símbolo
dessa luta de conquista do poder, como recurso tático
de acumulação de forças dentro do
campo democrático para construir, a posteriori,
um processo revolucionário.
É muita bobagem vendida num único texto.
Sobre o equívoco socialista (que significa, na
verdade de Veja, e a eternização do capitalismo),
Francis Fukuyama o fez com muito mais propriedade nos
anos 90, sob o título de seu famoso livro O
fim da história e o último homem,
e não prosperou. Porque é demais para a
cabeça de qualquer pessoa com um nível de
informação elementar a idéia de que
o capitalismo - a sociedade de mercado, a concentração
de renda, a exclusão social e a vulgarização
da vida possa ser o último estágio de evolução
da organização social e econômica
da humanidade.
Já quanto ao equívoco de Lula como vetor
da causa socialista no Brasil, sou forçado a concordar.
O problema dessa gente mal intencionada da direita ou
a serviço dela (e mesmo de setores tidos de esquerda,
mas desonestos intelectualmente) é que sempre pegam
um dado verdadeiro para construir uma premissa falsa.
É a isso que chamam de falso silogismo ou simplesmente
sofisma.
Lula, de fato, nunca foi socialista ou revolucionário.
No máximo, foi um grande líder de massas,
com um carisma extraordinário, e com uma vocação
nata para a liderança sindical. Ponto. A sua transformação
em agente revolucionário deve ser creditada na
conta dos intelectuais heterodoxos que sempre acreditaram
na revolução sem sangue, pelas vias pacíficas.
O resultado é o que estamos vendo.
Mas, daí a classificar todo o escândalo do
mensalão como arquétipo do revolucionário
ou do socialista são outros quinhentos. A corrupção
em escala é, antes de tudo, uma chaga capitalista,
fruto da deploração dos valores éticos
da humanidade, da lógica do lucro a qualquer custo
e da visão patrimonialista, anti-republicana, de
tornar o bem público propriedade privada. O grande
erro dos companheiros do mensalão foi
se deixar afetar por esse vício burguês,
construindo eles próprios seu sofisma de acumulação
de forças para a revolução.
Mas, esteja certo, caro leitor, o socialismo já
sofreu reveses piores na história e nem por isso
morreu. E por uma razão simples: não se
mata uma utopia! O melhor retrato dessa crise, creiam,
é a agonia do capitalismo moribundo que produz
miséria, exclusão, fome, violência,
guerras, abala instituições, valores, moral,
ética, na tentativa hercúlea de manter-se
vivo.
MORTE
ANUNCIADA
O triste fim de Severino
*
TT CATALÃO
JORNALISTA
______________
Como tantos outros severinos
que viraram massa na masmorra das construções;
como tantos outros que amassaram o pão para o diabo
do patrão lamber os beiços; como tantos
outros que escaparam do pau-de-arara na estrada, mas sangraram
torturados de cabeça pra baixo nas delegacias infectas
das periferias nacionais. Se vira, Severino! Se vira que
o seu mensalinho foi tirado do baú para a conveniência
da barra limpa no Plenário: sai o imperador de
João Alfredo e suas caturrices brejeiras e deve
subir alguma raposa boca-de-espera, mais confiável,
astuta, matreira, caso a vaca além de atolada,
afunde com brejo e tudo. Se vira, Severino! Como tantos
outros severinos, aproveite o ar fresco absorvido na queda
dos andaimes, pequeno breve prazer, antes de se estatelar
no asfalto atrapalhando o tráfego. Voa na arribação
da Asa Branca que morre mais de chumbo de espingarda que
de seca.
Se vira, Severino! Como tantos outros, sobreviver é
a guerrilha maior de quem nasce no ralo do chão
e abre, na marra, os caminhos da tal sociedade. Mesmo
pelos desvios daquela graninha por fora. Mesmo no vacilo.
Mesmo no delírio que lambuza de lama o que era
o mel polinizado de nepotismos, gandaias com o dinheiro
público e fraseologia boquirrota barroca capaz
de corar Odoricos e até soft-coronéis, hoje,
globalizados, na novíssima geração
ACMs refresh.
Vai Severino e a barra no Plenário fica limpa para
alguns do médio-clero (no sentido do medíocre
letrado). Essa gente com maior credencial caso a situação
chegue além de um Delúbio em decúbito
dorsal e azede de vez a república. O crepúsculo
do presidente da Câmara vem com a marca promíscua
dos subornos.
Desenterraram o corrupto travestido de empresário
(quem recebe é corrompido e quem paga é
corruptor), candidato a marido de perua nua, e, pasmem,
com promessas de vaga partidária pela delação
cívica premiada. Nosso mestre Dines, deita
e rosna com o seu achado histórico ao grafar isso
tudo como o circo da notícia. Se vira,
Severino! Jacaré nada de costas, em rio que tem
piranha. Severino faltou a esse tele curso da malandragem
cabocla. Seu discurso de ontem foi peça mais antropológica
que política. No seu jeito desabusado de quem não
mija na rabichola, vai soar para uma posteridade
necrológica. Não a dele, apenas. Mas dos
tantos, que representa. O repertório de gracinhas
racistas contra nordestinos será renovado. Prato
cheio no preconceito nativo. Preparam glossários,
repentes e gengibrinas. O cordel arrebenta do lado mais
folk. Cai a caricatura viva forjada do próprio
Severino. Deviam chamar o Mamulengo Presepada do Chico
Simões para o réquiem.
Ascensão e queda desta casta quase clandestina
instituída em Baixo Clero, nem tanto pelos golpes
baixos, mas pela atuação nos subterrâneos
legislativos e, queiram ou não, componentes do
mosaico eleitoral do atraso brasileiro. Espelhos, partidos.
Queiram ou não, virem folclore ou não, sejam
ridículos ou não, representam (foram e-lei-tos)
esta região de sombras onde um Brasil dito culto
não se reconhece e o oculto mal deseja ser visto.
Proliferam como bactérias para nos lembrar dos
abismos. Voto de cabresto, ignorância manipulada,
mistificação de líderes populares
e a aura da velha autoridade, os seu dotô,
só pra lembrar que um Brasil imenso ainda não
chegou a este século.
Se vira, Severino! Como tantos outros. Ele separa intelectual
da imprensa de jornalista de batente.
Afrontou o jet-ski em seu jegue esquálido colosso.
Exigia a sua deglutição. Pois foi devorado.
Já saiu, regurgitado, pelo ladrão:
eles vão ter que agüentar um homem como
Severino, em Roma, Paris e Nova Iorque, disse na
névoa breve de seu curto império. A
Câmara não vai ser supositório,
proclamou. Entramos na maré das suposições.
A barra está limpa para o jogo ficar mais sujo
ainda.
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ESPAÇO
DO LEITOR
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devem ser enviadas com identificação do autor,
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se reserva o direito de selecionar os textos para publicação
e resumí-los. Correspondências sem identicação
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(AP)
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E-mail: jornaldodia1@uol.com.br
A GENTE Ó... TOP
TOP...
Em meio a tantas denúncias, vejo que pelo andar
da carruagem as CPIs instaladas para denunciar o
maior esquema de corrupção no Brasil vão
acabar, mesmo, em pizza. Eu, como cidadão de bem,
que paga em dias meus impostos, não quero acreditar
nessa visão que antevejo. Mas, pelo jeito, é
o que podemos vislumbra no horizonte plúmbeo de
nossos futuros como brasileiros. Saiu o Severino Cavalcanti,
é verdade. Mas, centenas de outros severinos, com
a mesma concepção, o mesmo jeito de fazer
política continuam na Câmara dos Deputados,
dando as cartas. E a gente, ó ó ó
ó ó... Top top.
Jonas
L. Costa
Engenheiro
PRIMEIROS
E ÚLTIMOS
Não falta nada acontecer
em Macapá, agora é a vez dos mototaxistas
quererem se igualar aos taxistas. Querem usar tabela e
mototáximetro para cobrar as corridas.
Não sei como as autoridades de Macapá, da
prefeitura se bem entedido, permitem a existem desse tipo
de transporte em nossa cidade. Aliás, está
é uma das poucas cidades brasileiras em que ainda
existe este tipo de transporte. Mas, aqui é assim
mesmo. Infelizmente vivemos no limiar das situações:
ou somos os primeiros (como no caso em acidentes de trânsito)
ou os últimos (como no caso dos mototáxis).
Erielson
Vieira
Consultor
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