Edição 2.765 - Ano XVIII - Fundadores: Otaciano Pereira e Irene Pereira -

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OPINIÃO

Aroma de pizza no ar

Preocupante o clima de conchavo explícito no Congresso Nacional. Depois da cassação de Roberto Jefferson e da desintegração de Severino Cavalcanti, as marolas parecem indicar que as grandes ondas teriam passado.
Reforça a tese de “pizza a caminho” a tentativa de retirada, por parte do PTB, das denúncias contra os deputados José Dirceu (PT-SP) e Sandro Mabel (PL-GO). Num sinal positivo de que as coisas poderão seguir outro rumo, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), repeliu a tentativa e os processos seguirão seu destino.
A batalha não está resolvida, é evidente. Também é evidente o crescimento das pressões para que fique o dito pelo não dito e que tudo fique como dantes, no quartel de Abrantes como a filosofia popular classifica os acordos para nada resolver. Mas também crescem as pressões da cidadania para que a sujeira não seja varrida para baixo do tapete.
Bastidores escabrosos da política brasileira vieram à tona neste processo iniciado com a denúncia do “mensalão”. Milhões de reais envolveram instituições financeiras, agências de publicidade e figurões da situação e oposição. Não se deve esquecer que o cidadão conhecido como Marcos Valério aflorou como o elo perdido da cadeia de involução ética, unindo PT e PSDB e isso é uma das evidências de que se está descobrindo um esquema de corrupção e tráfico de influência bem maior que as circunstanciais pendengas entre oposição versus situação.
E quais as conclusões de tudo isso? Basta a cassação de um deputado e as renúncias de uns outros tantos (mesmo que dentre esses esteja o presidente da Câmara Federal)? Lógico que não basta! O necessário é o esclarecimento das denúncias, são as conclusões sobre as graves denúncias do tráfico de dinheiro e influências. Isso é o que espera a Nação, é o que cobra a cidadania brasileira.

ARTIGOS

MAIOR DÁDIVA DA EXISTÊNCIA
A luta pela felicidade

*GILBERTO DE MACEDO
MÉDICO

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Lutar pela felicidade. Estabelecer essa como a meta da vida. Ou jamais se chegará a usufruí-la. Esteja onde estiver, seja qual for a situação na sociedade, havemos de procurar essa maior dádiva da existência. E para isso, há de se apoiar na esperança, essa bela força interna que nos mantém e leva para a frente. É o que nos dá a energia do entusiasmo e da confiança para a realização do ideal, na concretização dos sonhos.
Assim, há de se cogitar da luta do dia-a-dia, voltada para uma feliz realização no futuro.
É que, como se sabe, a sociedade, mal-organizada e mal governada, só cria dificuldades para a vida das pessoas: obstáculos de toda ordem interpõem-se no curso da existência. A cada transposição sucede uma nova barreira. E aos tropeços, vai andando. Se não houver apoio da esperança, então, não se há como prosseguir. Passa-se a olhar para trás, situando-se no passado. Deixa-se de lutar. Sobretudo, porque nessa luta não há de se deixar que, pela revolta, pereçam os bons sentimentos e aqui, sobretudo, a capacidade de amar, pois sem esta perde-se a aptidão para ser feliz. E sem isso a luta perde o sentido, reduzida a um embate físico na corrida pela competição materialista. A luta em vão é se deixar o ideal, viver por viver, à mercê das circunstâncias materiais. É não ser digno da condição humana, que tem nos valores espirituais a sua maior e melhor característica. Por isso o poeta Browning sabia comover, dizendo: “Quando a sua luta começa dentro dele, é que um homem vale alguma coisa.”
Diz da valia humana, da coragem pessoal, em lutar por seu ideal, na realização dos sonhos, símbolos dos desejos. Assim, há de procurarmos atender a essa posição singular e exponencial da natureza humana no universo, e da condição mais elevada na sociedade. A luta, sendo humana, exige essa esperançosa disposição para se fazer, permanente e insaciável. Para isso é acompanhada de valores, que a enobrecem. Dignifica. Por isso, vale lutar. Luta pelo bem e pela felicidade! Luta meritória, que diz da grandeza humana. E que simboliza os ideais do homem, e os valores da sociedade. Lutar, pois, como imperativo de vida, da posição elevada do homem na escala das espécies, e situação autêntica na sociedade.
É que não há vida normal sem lutar. É próprio da natureza humana desde a fase embrionária quando o ser em formação luta para se constituir no útero materno com esforços biofisiológicos; e sobretudo, após o nascimento quando se impõe a adaptação ás novas circunstancias do mundo externo.

REACIONARISMO
Acerca do equívoco

* KLEBER LIMA
JORNALISTA
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Novamente a revista Veja (edição do último domingo, 18) destila todo o seu reacionarismo para tentar aproveitar a crise política provocada pelos medíocres do PT para atacar a esquerda, em particular, e o socialismo, em geral.
São dois os pressupostos da revista:
1) o equívoco primordial do PT foi ter nascido empunhando a bandeira socialista, em 1980, quando esse sistema já estaria carcomido pelo tempo e a história; e
2) o equívoco secundário, resultante do primeiro, foi transformar Lula no operário-símbolo dessa luta de conquista do poder, como recurso tático de acumulação de forças dentro do campo democrático para construir, a posteriori, um processo revolucionário.
É muita bobagem vendida num único texto. Sobre o equívoco socialista (que significa, na verdade de Veja, e a eternização do capitalismo), Francis Fukuyama o fez com muito mais propriedade nos anos 90, sob o título de seu famoso livro “O fim da história e o último homem”, e não prosperou. Porque é demais para a cabeça de qualquer pessoa com um nível de informação elementar a idéia de que o capitalismo - a sociedade de mercado, a concentração de renda, a exclusão social e a vulgarização da vida possa ser o último estágio de evolução da organização social e econômica da humanidade.
Já quanto ao equívoco de Lula como vetor da causa socialista no Brasil, sou forçado a concordar. O problema dessa gente mal intencionada da direita ou a serviço dela (e mesmo de setores tidos de esquerda, mas desonestos intelectualmente) é que sempre pegam um dado verdadeiro para construir uma premissa falsa. É a isso que chamam de falso silogismo ou simplesmente sofisma.
Lula, de fato, nunca foi socialista ou revolucionário. No máximo, foi um grande líder de massas, com um carisma extraordinário, e com uma vocação nata para a liderança sindical. Ponto. A sua transformação em agente revolucionário deve ser creditada na conta dos intelectuais heterodoxos que sempre acreditaram na revolução sem sangue, pelas vias pacíficas. O resultado é o que estamos vendo.
Mas, daí a classificar todo o escândalo do mensalão como arquétipo do revolucionário ou do socialista são outros quinhentos. A corrupção em escala é, antes de tudo, uma chaga capitalista, fruto da deploração dos valores éticos da humanidade, da lógica do lucro a qualquer custo e da visão patrimonialista, anti-republicana, de tornar o bem público propriedade privada. O grande erro dos “companheiros” do mensalão foi se deixar afetar por esse vício burguês, construindo eles próprios seu sofisma de acumulação de forças para a revolução.
Mas, esteja certo, caro leitor, o socialismo já sofreu reveses piores na história e nem por isso morreu. E por uma razão simples: não se mata uma utopia! O melhor retrato dessa crise, creiam, é a agonia do capitalismo moribundo que produz miséria, exclusão, fome, violência, guerras, abala instituições, valores, moral, ética, na tentativa hercúlea de manter-se vivo.


MORTE ANUNCIADA
O triste fim de Severino

* TT CATALÃO
JORNALISTA
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Como tantos outros severinos que viraram massa na masmorra das construções; como tantos outros que amassaram o pão para o diabo do patrão lamber os beiços; como tantos outros que escaparam do pau-de-arara na estrada, mas sangraram torturados de cabeça pra baixo nas delegacias infectas das periferias nacionais. Se vira, Severino! Se vira que o seu mensalinho foi tirado do baú para a conveniência da barra limpa no Plenário: sai o imperador de João Alfredo e suas caturrices brejeiras e deve subir alguma raposa boca-de-espera, mais confiável, astuta, matreira, caso a vaca além de atolada, afunde com brejo e tudo. Se vira, Severino! Como tantos outros severinos, aproveite o ar fresco absorvido na queda dos andaimes, pequeno breve prazer, antes de se estatelar no asfalto atrapalhando o tráfego. Voa na arribação da Asa Branca que morre mais de chumbo de espingarda que de seca.
Se vira, Severino! Como tantos outros, sobreviver é a guerrilha maior de quem nasce no ralo do chão e abre, na marra, os caminhos da tal sociedade. Mesmo pelos desvios daquela graninha por fora. Mesmo no vacilo. Mesmo no delírio que lambuza de lama o que era o mel polinizado de nepotismos, gandaias com o dinheiro público e fraseologia boquirrota barroca capaz de corar Odoricos e até soft-coronéis, hoje, globalizados, na novíssima geração ACMs refresh.
Vai Severino e a barra no Plenário fica limpa para alguns do médio-clero (no sentido do medíocre letrado). Essa gente com maior credencial caso a situação chegue além de um Delúbio em decúbito dorsal e azede de vez a república. O crepúsculo do presidente da Câmara vem com a marca promíscua dos subornos.
Desenterraram o corrupto travestido de empresário (quem recebe é corrompido e quem paga é corruptor), candidato a marido de perua nua, e, pasmem, com promessas de vaga partidária pela “delação cívica premiada”. Nosso mestre Dines, deita e rosna com o seu achado histórico ao grafar isso tudo como “o circo da notícia”. Se vira, Severino! Jacaré nada de costas, em rio que tem piranha. Severino faltou a esse tele curso da malandragem cabocla. Seu discurso de ontem foi peça mais antropológica que política. No seu jeito desabusado de quem não “mija na rabichola”, vai soar para uma posteridade necrológica. Não a dele, apenas. Mas dos tantos, que representa. O repertório de gracinhas racistas contra nordestinos será renovado. Prato cheio no preconceito nativo. Preparam glossários, repentes e gengibrinas. O cordel arrebenta do lado mais folk. Cai a caricatura viva forjada do próprio Severino. Deviam chamar o Mamulengo Presepada do Chico Simões para o réquiem.
Ascensão e queda desta casta quase clandestina instituída em Baixo Clero, nem tanto pelos golpes baixos, mas pela atuação nos subterrâneos legislativos e, queiram ou não, componentes do mosaico eleitoral do atraso brasileiro. Espelhos, partidos. Queiram ou não, virem folclore ou não, sejam ridículos ou não, representam (foram e-lei-tos) esta região de sombras onde um Brasil dito culto não se reconhece e o oculto mal deseja ser visto. Proliferam como bactérias para nos lembrar dos abismos. Voto de cabresto, ignorância manipulada, mistificação de líderes populares e a aura da velha autoridade, os “seu dotô”, só pra lembrar que um Brasil imenso ainda não chegou a este século.
Se vira, Severino! Como tantos outros. Ele separa “intelectual da imprensa” de “jornalista de batente”. Afrontou o jet-ski em seu jegue esquálido colosso. Exigia a sua deglutição. Pois foi devorado. Já saiu, regurgitado, “pelo ladrão”: “eles vão ter que agüentar um homem como Severino, em Roma, Paris e Nova Iorque”, disse na névoa breve de seu curto império. “A Câmara não vai ser supositório”, proclamou. Entramos na maré das suposições. A barra está limpa para o jogo ficar mais sujo ainda.

ESPAÇO DO LEITOR
As cartas devem ser enviadas com identificação do autor, endereço e telefone do remetente. O Jornal do Dia se reserva o direito de selecionar os textos para publicação e resumí-los. Correspondências sem identicação completa serão desconsideradas.

Endereço: Rua Mato Grosso, 296, Pacoval - CEP 68.908-350 - Macapá (AP)
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E-mail: jornaldodia1@uol.com.br

A GENTE Ó... TOP TOP...
Em meio a tantas denúncias, vejo que pelo andar da carruagem as CPI’s instaladas para denunciar o maior esquema de corrupção no Brasil vão acabar, mesmo, em pizza. Eu, como cidadão de bem, que paga em dias meus impostos, não quero acreditar nessa visão que antevejo. Mas, pelo jeito, é o que podemos vislumbra no horizonte plúmbeo de nossos futuros como brasileiros. Saiu o Severino Cavalcanti, é verdade. Mas, centenas de outros severinos, com a mesma concepção, o mesmo jeito de fazer política continuam na Câmara dos Deputados, dando as cartas. E a gente, ó ó ó ó ó... Top top.

Jonas L. Costa
Engenheiro

PRIMEIROS E ÚLTIMOS
Não falta nada acontecer em Macapá, agora é a vez dos mototaxistas quererem se igualar aos taxistas. Querem usar tabela e “mototáximetro” para cobrar as corridas. Não sei como as autoridades de Macapá, da prefeitura se bem entedido, permitem a existem desse tipo de transporte em nossa cidade. Aliás, está é uma das poucas cidades brasileiras em que ainda existe este tipo de transporte. Mas, aqui é assim mesmo. Infelizmente vivemos no limiar das situações: ou somos os primeiros (como no caso em acidentes de trânsito) ou os últimos (como no caso dos mototáxis).

Erielson Vieira
Consultor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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