Quando estudamos “economia de empresas” aprendemos que o objetivo maior das unidades produtoras de bens e serviços é “a maximização dos lucros”, a qual somente poderia ser obtida por meio da melhor utilização possível dos recursos produtivos e pela fixação do “preço ótimo”. Pois bem, nesta fórmula tradicional o meio ambiente era considerado como parcela daqueles recursos produtivos, os quais deveriam ser explorados da maneira mais intensa possível para perseguir os objetivos da empresa. Esta é a visão instrumentalista dos recursos naturais, na qual as ações visando reduzir os impactos ambientais da atividade econômica são irracionais e perdulárias para a empresa, se resumindo a frutos da filantropia de algum empresário com dor na consciência. A partir da década de 1970 as coisas começaram a mudar por conta de vários fatores simultâneos. Por um lado, tragédias ambientais como o da Baía de Minamata no Japão (1972) quando o mercúrio de efluentes industriais contaminou milhares de moradores da região; o acidente de Seveso na Itália, que intoxicou com agente laranja cerca de mil famílias em 1976; o acidente da Union Carbide de Bhopal na Índia em 1984, matando mais de 4 mil pessoas; e o acidente nuclear de Chenobyl, na Ucrânia (1986) que tirou a vida de aproximadamente 10 mil pessoas. Os danos à imagem e as indenizações milionárias causadas pelos “descuidos” ambientais passaram a gerar graves prejuízos econômicos, levando as empresas a avaliar que os investimentos em proteção ambiental passavam a ser necessários. Além dos acidentes, houve uma evolução da consciência ambiental mundial, com os encontros internacionais, descobertas científicas acerca de danos ambientais e posturas coletivas cada vez mais alertas para a ecologia. Com isso, algumas empresas passaram a ver a questão ambiental como um poderoso instrumento de marketing, pois os consumidores estavam preferindo produtos e serviços ambientalmente corretos. Ressalte-se que neste campo há muita hipocrisia. É comum empresas gastarem milhões em campanhas publicitárias e apenas uma fração disso nas ações ambientais propriamente ditas, realizando o notório “greenwashing”. Atualmente, ao lado dos motivos de prevenção e de marketing, a empresas já passam a ver oportunidades de negócios ambientais. As fontes de energia alternativa, os créditos de carbono, os automóveis híbridos, o ecoturismo, os produtos orgânicos, a ecoeficiência, dentre outros, estão aí para comprovar que o meio ambiente pode gerar receitas e não custos para as empresas que souberem trabalhar bem esta questão. A conferência Rio+20 que se aproxima, ao inserir como tema central a “economia verde”, poderá vir a se constituir em um importante evento incentivador desta nova visão do mercado, que enxerga oportunidades nas ações ambientalmente sustentáveis.
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