Não importa que hoje setenta e seis milhões de Brasileiros tenham acesso à internet e suas principais utilizações sejam as redes sociais.
Não importa que na internet todos digam que são felizes e que suas relações são estáveis e tranquilas (aqui ó que acredito).
Ah sim, claro! A internet mudou o mundo, mas... Não mudou o coração das pessoas! Coração é feito... Ops! Do que mesmo? Sei lá... Estou me referindo a coração para denominar tudo aquilo que sentimos em tempo real e que o mundo virtual não consegue alcançar.
É que hoje se disfarçam as Marilyns Monroes, Evitas e chiquinhas Gonzagas, para “parecer” normalàquilo que não é; Ser humano e ponto final.
Já viu algum ser humano totalmente normal? Se encontrarem mandem endereço completo para o meu e-mail, quero conhecê-lo, contratá-lo e quem sabe até casar com ele. Não! Casar deve ser muito chato.
Imagina casar com alguém muito normal!
Melhor é gente de verdade e gente de verdade é tão imperfeitinha, é gente que fala mal do vizinho, que faz cara de horror diante de uma barata, que bate no carro quando o pneu fura (não resolve nada, mas ele faz isso) e outras bobagens que não agregam valor! Mas pra quê agregar valor toda hora?
Este mundo virtual, tem nos tirado a condição primária de ser quem somos. Na era da globalização virtual, o mundo nos espia o tempo todo e em todo tempo, tem sempre um flash a disparar, um curioso pra palpitar ou um invejoso pra falar... Falar mal, diga-se de passagem!
Temos a impressão que nós somos obrigados a vigiar nossos impulsos “reais” e primitivos para que a internet não divulgue a verdade dos nossos corações, mas leve apenas “boas notícias”.
Só tuitamos aquilo que fortalece nossa imagem de bom moço ou para exibir nossos passeios caros, por que nunca vi ninguém tuitar para informar que está no morro do “vai quem quer” comendo espetinho de tripa.
No facebook, só mostramos as fotos que nos favorece (aquelas com o ângulo perfeito), só falamos daquilo que não “choca” ninguém, só contamos as boas notícias e é claro que nos sentimos obrigados a falar de Deus.
E que coisa feia é falar de Deus e não praticar nada de Deus.
Ainda tem o Linkedin que somos “convidados” a recomendar pessoas, vamos dizer o quê? Imagina isso:
- Olha esse cara me ferrou no trabalho anterior, é um sacana ou coisas assim.
E neste Linkedin encontraremos mais mentiras do mundo virtual!
Este mundo virtual é proporcionalmente hipócrita ao tamanho da nossa vontade de sermos aceitos por aquilo que não somos. Que mundo doido meu povo!
Como é que teremos coragem para um relacionamento real se no mundo virtual só divulgo as minhas qualidades?
Graças a Deus, estou acostumada a escandalizar as pessoas com a minha espontaneidade e capacidade de dizer a verdade.
Portanto, vamos lá... Bem vindos ao mundo real!
Temos celulites, palitamos os dentes pra tirar “aquela carninha chata que engancha no penúltimo dentinho”, arrotamos depois da coca cola e soltamos pum depois daquela feijoada – ai que horror! Mas é tudo verdade!
Também brochamos de vez em quando, qual o problema disso gente? Senta e conversa, relaxa que depois rola tudo de novo. Na verdade o bom de brochar é que temos motivos pra recomeçar exatamente pelo caminho que gostamos; pelas preliminares. Ai que maravilha!
Este mundo virtual é uma tremenda “armadilha” que não supre ninguém. Não liberta, aprisiona, não aquieta, aflige, não traz pessoas, nos afasta de nós!
Iremos utilizá-lo para bisbilhotar a vida alheia, para apaziguar o tédio, para sair da rotina, para estreitar laços com quem está longe, mas este mundo virtual não supre nossa necessidade de gente.
Eu gosto mesmo é de “olho no olho”, é de pegar na mão e sentir o sangue quente, gosto mesmo é daquele beijo demorado de tirar o fôlego e de passar a mão sorrateiramente na B de quem amo....
Ui! Estas intimidades, não devem ser divulgadas na net, mas se é pra falar a verdade, vamos lá!
Mundo virtual, coração real... Eu gosto é de gente! Gosto de sentir o hálito, o cheiro, as batidas do coração e daquele calor que o aconchego de um abraço me dá. O resto? A gente pesquisa na net!
Beijo no coração!
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