Há 252 anos, Macapá era fundada com o objetivo de reforçar as defesas do Brasil Colônia. Os anos passaram e hoje a antiga “Macapaba” se transformou na quinta cidade mais populosa do Norte do país, crescimento causado pela migração desenfreada, e marcada por tímidos progressos e grandes problemas sociais.
Apesar do retrato não ser diferente de tantas outras capitais do Brasil, a “princesinha da Amazônia” respira novos ares de desenvolvimento, dessa vez, pautados em esforços políticos concentrados e fiscalizados pela sociedade e imprensa local.
Foi levando em consideração esse papel fundamental da imprensa que há 23 anos, surgiu o primeiro jornal diário do Amapá. A ideia de lançar o Jornal do Dia partiu da falta de um noticiário que pudesse informar a população da época sobre os principais fatos do dia. Diante disso, Júlio Pereira, filho de Otaciano Pereira, perseguiu o sonho de presentear a sociedade amapaense com um jornal diário. O sonho se concretizou em 1986. A princípio nasceu a Gazeta Trabalhista. Dispondo apenas de dois rádios e uma máquina de datilografia, trazidos do Rio de Janeiro, a redação instalou-se atrás da residência de Júlio.
Após os primeiros obstáculos, eis que chega em Macapá a primeira edição do Jornal do Dia. A data escolhida foi o aniversário da cidade, para que ninguém mais esquecesse: 4 de fevereiro.
No primeiro editorial publicado, a expressão “É uma loucura” teve destaque. Tanto que muitas pessoas incrédulas ainda comentavam sobre o lançamento do novo empreendimento.
Escrevendo história. Foi a partir daí que a história do Amapá começou a ser escrita todos os dias. “A história do Amapá nos revela fatos interessantes, como por exemplo, aqui as pessoas ainda têm certa facilidade em falar com seus representantes políticos. Isso é diferente de qualquer outro Estado e traz facilidades para discutir certas questões frente a frente com os parlamentares. Assim, transforma-se a política em um elemento importante, fazendo dela o principal instrumento do desenvolvimento. Outro fator que contribui bastante com isso é o tipo que se desenvolve aqui na área econômica que precisa muitas vezes da política para se desenvolver. Observamos então que ela volta a ser muito importante”, explicou Rodolfo Juarez, articulista político do JD.
Consciência. Mesmo tendo um peso fundamental no desenvolvimento do Estado, a melhor conscientização da sociedade fica sob o poder dos meios de comunicação. “Quem faz a conscientização política são os veículos de comunicação, como a televisão, o jornal que hoje atinge a maturidade com 23 anos de fundação, apesar de não termos programas voltados para a conscientização política. O Amapá atinge nas próximas eleições um contingente de 411 mil eleitores. Desses, 14% não vai votar, o que é um número significativo. Porém, Macapá ao completar 252 anos tem 384 mil habitantes. Quanto uma cidade passa dos 300 mil habitantes, alcança algumas necessidades que ficam fora do circuito da política. Antes disso os políticos ainda conseguem manter o comando, conhecendo os problemas de todas as comunidades. Após isso, é preciso haver a conscientização do eleitor, daí a importância dos órgãos de comunicação e também da educação”, ressaltou Rodolfo.
Contribuindo. Ao falar em educação, não podemos esquecer que esse foi outro setor que também experimentou um grande progresso nos últimos anos, em Macapá. Quem não lembra dos anos em que os jovens amapaenses quando terminavam o segundo grau, precisavam ir para São Paulo estudar nas faculdades particulares?
Hoje, essa realidade mudou. O Estado dispõe de duas universidades, uma estadual e outra federal, além de outras dezenas particulares.
Foi diante de tal importância que o Jornal do Dia também entrevistou os reitores José Tavares (Unifap) e José Maria (Ueap). Segundo eles, apesar dos escassos recursos e da grande demanda, as instituições de ensino superior tem cumprido a missão de educar. “Acredito que os nossos acadêmicos estão preparados para o mercado de trabalho”, ressaltou José Maria.
Oportunidades. Mesmo que a sociedade não chegue a ocupar uma cadeira na faculdade, dispõe atualmente de modernas fontes de educação e conscientização. Uma delas foi lançada no ano passado, pelo Jornal do Dia. O portal de notícias (www.jdia.com.br <http://www.jdia.com.br>) atualizado minuto a minuto, oferece gratuitamente uma fonte rica de informações à toda a sociedade. Um pouco antes, em 2007, o JD também foi pioneiro ao lançar o primeiro blog de notícias em toda a imprensa amapaense.
Agora, em constante transformação, o JD entra na era das redes sociais que estão tomando conta da internet com o lançamento do Twitter e comunidade do Orkut, outro fato inédito na imprensa escrita do Amapá. Ainda em fase de montagem, o JD também prepara seu novo parque gráfico.
Progresso. Tudo isso tem um papel fundamental na sociedade, além de informar: a missão é fomentar o progresso que não vem separado do setor econômico. “A cidade vem se desenvolvendo a passos largos. É claro que há tropeços políticos e empresariais, mas no geral temos conseguido promover o bem estar social.
Desde a criação da área de comércio para cá, tivemos uma migração muito forte de mão de obra e não conseguimos produzir a solução. Macapá ficou inchada, desordenada e por conta disso precisamos buscar novas soluções.
O setor empresarial e produtivo, apesar de incipiente, está trabalhando ombreado com as políticas públicas de governo. Nesse primeiro ano de gestão do prefeito Roberto a cidade avançou muito, as parcerias e discussões tributárias avançaram bastante também.
Hoje é possível pagar para se legalizar um terreno em Macapá, coisa que anteriormente não tinha condições. Hoje, o que se precisa para a capital avançar? É preciso que se tenha uma industria de projetos não só na criatividade, mas como a própria engenhoca de fazer.
É preciso que façamos os projetos, porque sem projetos não vamos conseguir trazer dinheiro e a cidade fica na dificuldade. Na parte privada nós estamos respondendo à sociedade da forma que podemos. Estamos tentando acabar com a burocracia com um sistema novo de registro. Isso vai facilitar bastante para as pessoas que queiram ter uma empresa.
É preciso que a gente faça o dever de casa. A cidade não é do prefeito e nem do governador, é de todos nós. Por isso, temos o dever de cada dia fazer uma Macapá melhor”, concluiu Gilberto Laurindo, presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA).