Um estudo divulgado na última sexta-feira (5) afirma que o
derretimento das geleiras no Ártico poderá custar de US$ 2,4
trilhões a US$ 24 trilhões até 2050.
Os danos seriam relativos à agricultura global,
aos imóveis e às seguradoras. As causas principais seriam o
aumento do nível dos oceanos, enchentes e ondas de calor.
"Todos ao redor do mundo irão arcar com esses
custos", afirmou Eban Goodstein, um economista do Bard
College, no Estado de Nova York, e co-autor do estudo chamado
"Tesouro Ártico, Ativos Mundiais Derretendo".
Ele afirmou que o relatório, revisado por mais de
uma dezena de cientistas e economistas e financiado pelo Pew
Environment Group, um braço do Pew Charitable Trusts, é a
primeira tentativa de calcular o tamanho das perdas de uma das
regiões mais importantes para o clima mundial.
"O Ártico é o ar-condicionado do planeta e
ele está começando a entrar em colapso", disse.
O derretimento de gelo e neve no Oceano Ártico já
custa ao mundo de US$ 61 bilhões a US$ 371 bilhões anualmente,
principalmente devido a ondas de calor, enchentes e outros
fatores, disse o estudo.
As perdas podem aumentar, pois um Ártico mais
quente tende a soltar grandes quantidades de metano. O gás teria
um impacto 21 vezes maior que o dióxido de carbono no
aquecimento global.
O derretimento do gelo no Oceano Ártico já está
causando um aumento de temperaturas, pois a água escura,
resultante do gelo derretido, absorve mais energia solar,
afirmou. Isso pode causar derretimentos de mais geleiras e
aumentar o nível dos oceanos.
Enquanto boa parte da Europa e dos Estados Unidos
têm sofrido com nevascas e temperaturas abaixo do esperado neste
inverno, as evidências aumentam de que o Ártico está em risco
devido ao aquecimento.
Os gases geradores do efeito estufa saídos de
escapamentos e chaminés levaram as temperaturas do Ártico, na
última década, ao maior nível em pelo menos 2 mil anos,
revertendo uma tendência natural de resfriamento, informou uma
equipe internacional de pesquisadores no jornal Science, em
setembro.
As emissões de metano do Ártico subiram 30% nos
últimos anos, disseram cientistas no mês passado.