Ao contrário do que muitos imaginam não é o derretimento de gelo da
Antártica e da Groenlândia o principal responsável pelo aumento do
nível das águas dos oceanos. É o degelo dos topos das montanhas que
deve receber atenção, segundo o coordenador-geral do Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia da Criosfera, Jefferson Cardia Simões.
O
glaciólogo – especialista em gelo e neve – explicou que o
descongelamento nas regiões polares está ocorrendo em um ritmo menor
por causa do aquecimento global. No topo das montanhas, o cenário é
inverso, e o gelo está sumindo rapidamente. De acordo com Simões, é
esse gelo derretido que alcançará, em determinado momento, rios e
desembocará nos mares – significando o aumento do volume de água.
“No manto de gelo da Antártida, o derretimento é muito pouco [menos de 1% do Continente Antártico] e está ocorrendo nas periferias das regiões polares. É nas montanhas onde ocorre a maior parte [do derretimento],
tanto nas zonas temperadas quanto tropicais. E essa água cedo ou tarde
vai para o mar, que contribui para o aumento do nível [do mar]”, disse Simões, em palestra ontem (27) na 62ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Algumas
pesquisas preveem um quadro catastrófico: o derretimento total da massa
gelada do planeta – equivalente a mais de 28 milhões de quilômetros
quadrados – levaria a um aumento de 70 metros do nível do mar. Para o
professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
previsões como essas são exageradas e quase impossíveis de se
concretizar em curto prazo.
“Gradativamente, vamos ver eventos
abruptos de clima, como enxurradas, enchentes e geadas em lugares que
nunca haviam ocorrido antes, e também o aumento do nível do mar. Mas é
gradativo, não é para amanhã”, afirmou o pesquisador.