O principal suspeito de assassinar o agricultor e líder do Movimento
Camponês Corumbiara, Adelino Ramos, foi preso hoje (30) em Extrema
Rondônia, próximo à capital Porto Velho. Ozeas Vicente estava sendo
procurado pela polícia desde o último sábado (28) e acabou se entregando
na manhã desta segunda-feira.
De acordo com o diretor executivo da Polícia Civil de Rondônia,
delegado Pedro Mancebo, o suspeito está sendo levado para o distrito de
Nova Califórnia, em Porto Velho, para prestar depoimento. “Ele estava
sendo procurado, mas para surpresa de todos, ele apareceu e se
apresentou [à polícia]”.
Mancebo ainda não sabe se houve a participação de outras pessoas no
assassinato do agricultor. “Vamos ouvi-lo. Ele deve chegar ainda nesta
tarde. Ainda não sabemos que medida será tomada [após o
interrogatório]”.
Caso Vicente se declare culpado do crime, ele pode ser transferido para
a Casa de Detenção José Mário Alves, conhecida como Urso Branco.
Segundo o diretor executivo da Polícia Civil, já foi feita uma
investigação preliminar e um inquérito foi instaurado. “Possivelmente [o
inquérito] será alocado pela delegacia de homicídio”.
O crime ocorreu na sexta-feira (27) no distrito de Vista Alegre do
Abunã, em Porto Velho. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Adelino estava vendendo verduras que produzia no acampamento onde vive
quando foi assassinado a tiros.
O agricultor vinha sendo ameaçado de morte por denunciar a ação de
madeireiros na divisa entre os estados do Acre, Amazonas e Rondônia.
Junto com outros trabalhadores sem terra, ele reivindicava a criação de
um assentamento da reforma agrária na região.
Além de Adelino, outro três ambientalistas foram assassinados em apenas
uma semana. No último dia 24, os líderes extrativistas José Claudio
Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram executados em
Nova Ipixuna, no Pará. Dias depois, o corpo do agricultor Eremilton
Pereira dos Santos, de 25 anos, foi achado no mesmo assentamento.